O efeito do cigarro em cada fase da vida da mulher
- Dr. Marcos José Pires
- 26 de ago. de 2019
- 2 min de leitura

Estima-se que neste século a mulher estará fumando mais que os homens. Acredita-se também que biologicamente a mulher tem mais facilidade à dependência do cigarro e o Câncer de Pulmão é a segunda causa de morte por câncer na mulher, só perdendo para o câncer de mama.
Existem peculiaridades da ação do tabaco nos quatro períodos do desenvolvimento feminino: infância, adolescência, vida adulta e menopausa.
Acha-se hoje que o tabagismo é um problema de saúde infantil porque a idade de início da dependência já é de 9 a 10 anos e é o pediatra que tem que fazer esse acompanhamento.
Na adolescência e vida adulta, dois pontos são importantes: o uso de pílula anticoncepcional e a gravidez. Em torno de 20% das mulheres em vida reprodutiva usam pílula como método anticoncepcional. A pílula provoca alteração circulatória que leva a um efeito vasoconstritor e que, junto com o cigarro é muito potencializado, aumentando as chances de tromboses periféricas, infartos ou derrames. Essa associação proibitiva limita o uso de métodos anticoncepcionais, aumentando o risco de gravidez indesejada. Há ainda as alterações estéticas, como perda da elasticidade da pele e aumento da rugosidade, alteração do hálito, dentes amarelados e aumento de vasos em membros inferiores.
Durante a gravidez e o aleitamento materno as conseqüências são ainda mais desastrosas. A nicotina diminuiu a capacidade de transporte de O2 materno e, junto com uma vasoconstrição placentária, leva à hipóxia fetal, causando restrição de crescimento com sofrimento fetal crônico, maior chance de parto prematuro e de óbito neonatal. Mesmo após o nascimento, a freqüência de morte súbita fetal é de 4 x mais que em grávidas não fumantes.
O cigarro aumenta o risco de infertilidade feminina e no homem diminui a qualidade dos espermatozóides. Aumenta também o risco de câncer de colo uterino, esse que é prevenido pelo Papanicolau.
A menopausa na mulher tabagista chega mais precocemente, em torno de 1,5 a 2 anos e com isso os transtornos de calores, diminuição de lubrificação vaginal e aumento do risco de problemas cardio e cerebrovasculares.
Existem maneiras objetivas de parar de fumar. Todos sabem dos malefícios do cigarro, mas é preciso ter desejo real para começar o tratamento e ter chance de sucesso. É importante lembrar que tudo começa com um primeiro passo. O médico tem a obrigação de informar, orientar e ajudar o paciente que deseja parar de fumar. Há trabalhos que mostram que se o médico dedicar 3 minutos do tempo da consulta orientando sobre o tabagismo, isso aumenta a taxa de abandono desse vício. Quando vier ao consultório, peça orientação e teremos o maior prazer em ajudar.







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